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Sustentabilidade – O que é uma marca sustentável?

Antes de irmos às postagens práticas da minha transição é necessário entender os conceitos da sustentabilidade. Por isso, vou iniciar o ano com muitas pesquisas conceituando sustentabilidade, moda ética, consumo consciente e assuntos que possam nos interessar nessa jornada.

O sistema da moda é algo complexo e com vários conceitos existentes. Um dos sistemas que ficou conhecido pela efemeridade de suas peças e a rapidez da produção de novos produtos, diminuindo o ciclo de produção e aumentando o consumo é o fast fashion.

Mas sabemos que o sistema de fast fashion, apesar de lucrativo, se tornou inviável para a sustentabilidade ambiental e social. Uma vez que no final desta cadeia temos o descarte rápido destes artigos de moda que encontra nos países mais pobres um dos seus destinos.

Como resultado dos problemas de degradação ambiental e agravamento nas condições sociais a sustentabilidade aparece como solução ganhando destaques nos últimos anos. A preocupação mundial cresce com relação aos impactos locais, sociais e ambientais, principalmente diante de uma série de acontecimentos históricos que causaram violentos processos de degradação humana e impactos ambientais. A exemplo do desabamento de um prédio de três andares, que ocorreu em Bangladesh há seis anos, em uma fábrica de tecidos onde morreram pelo menos 377 pessoas (BBC Brasil, 2013).

A produção, consumo e descarte de peças de roupas tem um número negativo no meio ambiente e em impactos sociais. Segundo a Global Fashion Agenda and Boston Consulting Group, o consumo de roupas irá aumentar substancialmente em 63% até 2030, o equivalente à 500 bilhões de T-shirt.

Por outro lado, apenas 20% das roupas são coletadas para reutilizar ou reciclar, com a grande maioria terminando em lixões.

A resposta para esse problema global em que a indústria da moda se encontra tem sido reativo e focado em estratégias pacíficas do que em perspectivas coesivas. As empresas preferem focar em tecnologias relacionadas à rapidez das produções, do que repensar como o design e manufatura podem incorporar a necessidade do consumidor e a sustentabilidade.

OS PILARES DA SUSTENTABILIDADE

Em 94 o conceito dos 3P (People, Planet e Profit), de um estudo feito por John Elkington, fez com que surgisse o Triple Bottom Line. Definindo a sustentabilidade em três pilares que se interseccionam resultando no alcance viável, justo e vivível de uma empresa no que tange a sustentabilidade.

Analisando-os separadamente, tem-se:

  • (Pilar) Econômico: cujo propósito é a criação de empreendimentos viáveis, atraentes para os investidores;

  • (Pilar) Ambiental: cujo objetivo é analisar a interação de processos com o meio ambiente sem lhe causar danos permanentes;

  • (Pilar) Social: que se preocupa com o estabelecimento de ações justas para trabalhadores, parceiros e sociedade.

Vale ressaltar que, recentemente, mais um pilar foi incorporado aos Bottom lines: o pilar cultural. No entanto, este pilar ainda não foi totalmente incorporado pelas organizações como forma de análise para a sustentabilidade. Mas acredito que o pilar cultural pode ser integrado no pilar social facilmente.

Esses são os pilares para a sustentabilidade de uma empresa mas no que tange a Moda, quais são os critérios para uma marca se posicionar como sustentável no mercado?

CRITÉRIOS DE SUSTENTABILIDADE NA MODA

Anthea foi um editorial feito por Kevin Oux e produzido por Sizá para a 4Less, uma marca de aluguel de roupas mensais e venda de roupas em segunda mão.

O Design e a Moda hoje assumem importantes papéis na sustentabilidade, quer seja criando novas formas de produção que não degradem o meio ambiente, quer seja informando e educando a população. Inclusive, penso que não faz mais sentido pensar Design ou Moda sem os conceitos de sustentabilidade embutidos.

Portanto, os designers que já pensam de maneira consciente e sustentável, ao desenvolver seus produtos levam em consideração a teoria dos três Rs: reduzir, reutilizar e reciclar.

Ué e a reciclagem?

A reciclagem aqui não é bem vista, uma vez que comprovou-se não ser a maneira mais ecológica quando comparada à redução e reutilização de materiais, já que na reciclagem há o uso de energia e emissão de CO².

Alguns critérios de sustentabilidade na moda com base em eventos e feiras do tema:

  • Comércio justo/ético;
  • Feito sob medida;
  • Artesanal;
  • Materiais orgânicos e naturais;
  • Reciclados/renascidos;
  • Vintage/segunda mão;
  • Vegan/sem produtos animais/sem crueldade;
  • Estampagem e tingimento de baixo impacto;
  • Redução de resíduos: nos ciclos de produção de peças de vestuário.
  • Produtos com responsabilidade socioambiental;
  • Eficiência de recursos.

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Apesar de ainda ter muito caminho pela frente, a moda começa a incorporar a sustentabilidade, e algumas ações concretas começam a ser feitas nesse sentido.

Se você tem uma marca e quer torná-la mais sustentável, ou se você pensa em ter uma marca mas não vê sentido em criar sem ser sustentável (de verdade) indico um artigo que li em sala de aula. The ReDesign canvas: Fashion design as a tool for sustainability é um artigo da Anika Kozlowski, Cory Searcy e Michal Bardecki, publicado no Journal of Cleaner Production em fevereiro de 2018. O artigo faz literalmente um redesign do business canva pensando nos pilares da sustentabilidade. Link para download.

Quantas marcas que você consome são sustentáveis?

Arrivederci.

detox do guarda roupa

Missão do guarda roupa

Um novo ano se inicia assim como novo ciclo, novo blog com novos objetivos e sonhos a serem alcançados.

Para quem me acompanha desde a Máfia da Moda, sabe o quanto mudei no blog, no conteúdo, na escrita e na maneira como me comunico e penso moda. E com tantas mudanças internas precisava também alinhar o meu blog com quem sou e quero ser no futuro.

Também é possível notar que o consumo consciente e o jeito de pensar moda sempre foi uma questão muito importante para mim. Por isso faz todo sentido eu ter um blog dedicado para os assuntos que eu mais me identifico: estilo pessoal e moda ética e sustentável com um toque de consciência (sempre).

Então deixo o domínio BrunaMarconi.com de lado para servir como portfólio e currículo online, assumindo que o Fashion Detox deveria ser, desde sempre o nome do meu blog.

A clareza que o Fashion Detox deveria ser o nome do blog veio com o início do mestrado em Design de Comunicação de Moda. Logo no começo do semestre aconteceu um evento de moda na cidade do Porto e tive oportunidade de assistir uma palestra sobre uma feira de moda ética e sustentável que acontece na Alemanha reunindo marcas de roupas, calçados e cosméticos que realmente fazem a diferença na moda e para o nosso planeta.

Durante essa palestra me veio aquele insight, uma luz no fim do túnel enxergando uma oportunidade de unir as coisas que amo em um negócio. Unindo aos conhecimentos que estava adquirindo de como criar uma marca de moda, comunicação de coleções, negócios internacionais e marketing de moda o resultado foi o desenho do meu blog de moda enquanto startup.

Assim como o título da minha dissertação no curso de Design, pensar meu blog como um negócio me ajudou a entender meu nicho (que sempre tive medo de definir), mercado de atuação e parceiros (que nunca pensei quais seriam, uma vez que não havia nicho), identidade da marca, e a comunicação que ela terá.

Por evitar esses processos “naturais” nos quais eu oriento os meus clientes em branding de moda, sabotei o meu crescimento enquanto blogueira. Agora, não é que eu me sinta preparada, mas com tantas mudanças na minha vida decidi enfrentar o medo e simplesmente confiar no processo. Foi assim que eu fiz com a minha mudança para Portugal e será assim com o crescimento e evolução do blog. Pé ante pé, uma coisa de cada vez, sem pensar demais, let it flow.

Por tanto, o Fashion Detox é um blog diário onde contro sobre a minha transição para um guarda roupa mais ético e sustentável, partilhando marcas, conceitos e novas perspectivas sobre uma moda que todos nós precisamos ter: responsável e consciente.

Bruna Marconi pousando para foto com seu look do dia.

MISSÃO DO GUARDA ROUPA 2019

Ser uma consumidora consciente em um mundo obcecado pelo acúmulo de coisas é um desafio imenso. Placas luminosas, sua música preferida tocando e descontos imperdíveis SÓ HOJE! Como resistir ao fast fashion?

Hoje em dia uma pessoa compra e média 70 peças de roupa por ano, mais que uma roupa por semana, e ainda assim são gastos menos de 3,5% de um salário com isso. Ou seja, compramos mais e investimos menos em cada peça não apenas no dinheiro mas em tempo e atenção também, afinal quem avalia qualidade de roupa quando ela custa 20 reais ou 15 euros?

Desde 2014 que passeio pela ideia de consumir consciente, mas em 2019 realmente desejo ter atitudes mais positivas diante do que escolho comprar, principalmente no guarda roupa.

Por isso vou seguir o passo a passo para um guia de compras inteligentes feita pela Anuschka Rees, blogueira e autora do livro The Curated Closet (o nome em português foge totalmente da proposta do livro: Os segredos do guarda roupa Europeu -oiii?).

Missão 2019:

  1. Fugir do fast fashion;
  2. Encontrar peças que eu realmente ame;
  3. Evitar aquisição por impulso.

Fugir do fast fashion é a primeira coisa que tenho que fazer. Desde que eu cheguei na Europa fiquei realmente deslumbrada com a variedade de lojas de departamento que encontramos, e claro que com os preços das peças também. Fui cair na besteira de comprar roupas na H&M, Zara e Lefties, e das seis peças que comprei me arrependi de 4 desses ítens. Seja por caimento no corpo ou qualidade, logo voltei a perceber o quanto não vale a pena investir nisso.

Uma questão muito importante na transição de um guarda roupa ético e sustentável é que muitos pensam que devem se livrar de toooodas as peças que tem e comprar novas só que de marcas do nicho. NÃÃO! Não há nada de sustentável em jogar roupa fora e comprar outra, assim você continua no mesmo ciclo de consumo.

O mindset para a transição é manter em seu armário peças que você AMA! E a partir do que você já tem, criar um plano de compras para novas peças que ame.

Vale também ressaltar que minha intenção não é de um armário cápsula, pois sou muito ligada à moda e a limitação de uma cápsula não me deixa feliz, embora consiga e já tenha feito.

Meu objetivo realmente é montar um guarda roupa funcional, alegre, cheio de cores, texturas e modelagens mas que tenha responsabilidade em cada peça dele. E é de minha responsabilidade não descartar as peças que tenho hoje, aprendendo a usá-las de diferentes maneiras ou pelo menos doando para quem precisa.

O guarda roupa responsável também tange a questão financeira. A moda ética e sustentável apesar de estar em voga, ainda é associada ao luxo, com preços elevados e uma paleta de cores super boring.

Acredito que meu maior desafio serão as cores das peças de roupas, uma vez que a maioria das marcas utilizam cores neutras ou tons terrosos, como vou mostrar meu estilo colorido de ser? Onde vou comprar?

Me limitar às lojas de segunda mão, a curto prazo é uma boa alternativa; a longo prazo para ter peças éticas e sustentáveis precisará surgir no mercado marcas que produzam para o meu estilo pessoal.

Por fim, aquela regrinha básica que me segue desde o início dessa jornada de consumir consciente: evitar aquisições por impulso. É o básico, mas é necessário lembrar que para transacionar para um armário mais sustentável e consciente será necessário muita força e disciplina.

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Essa é a minha missão mas vou adorar ter você do meu ladinho para essa transição.

Quem ficou com vontade deixa um comentário dizendo qual será o seu maior desafio e eu respondo como pode superar ele, ok?

Desejo um próspero 2019 e um ótimo Fashion Detox para vocês!

Bruna Marconi.